quinta-feira, 13 de novembro de 2008

No túmulo de Pagu

Redobra teus sentidos e te solta louca
Apegada ao rosto do meu sorriso ferido
Reforma as cores no meu olhar de louça
Aprisiona sem tocar-me nesse momento ido!


Perdeu-te na força de lembranças quase frouxas
Que recobram a vontade de te rever mais pura
Em guerra calada com mera ilusão dos tolos
Despiram rotos até a entrega farta do couro


Esquecer-te como repente estranho, raio preciso
Que atinge toda terra menos o teu fiel vazio
É repensar o toque de teu vago e sereno sorriso
Fazendo-me instrumento de teus desejos tardios

Perceber-te agora vã e fria criatura
Despindo-te nula em infiéis momentos
Como se ainda viva aqui, em carne crua,
Destilasse em mim teus cruéis tormentos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

por certo os sertões
nascem no planalto central
e se alastram por veredas
desertas e belas
onde racham
sovacos de pernas
e cotovelos de pedra.
digam-me onde há glória!
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade

depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me

e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Fotocópia

tatuadosna língua
esporos teus
transcritos
em falo de outrem.. .

domingo, 13 de julho de 2008

A fábula do vidro e do tijolo
pela vidraça vê-se o muro
vê-se furosno paladar!
não há o que se esconda
e se oponhaà dor de fronha
e a amores de chafarizé tudo tão caro
que o metal não pode pagar
beijara teus tijolos
e ainda trazia na línguaos esporos alheios
enganando-se cotidiano
e os olhos secos se fecham
na esperança da chuva
da fonte na praça central.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

rasga em mim inquietude de Pagu
que envolve minhas viscosidades
e preconiza a força de um ser em ebulição
quero gritar, e me calo
a palavra que me salvou de mim mesma
tomou-me a fala
consumiu-me em cada letra
quero-te leitmotiv
não tenho mais poesia.

terça-feira, 13 de maio de 2008

sou bem um desenho
preto e branco
caricato de um semblante
infame e descontente
de olhos virados
esbugalhados nos cantos
da face pária

nariz rasgando o céu
qual empino de revolta
e rajado de defeitos
cravados em dorso desavisado
serpente de aço
no subterrâneo metropolitano

indefino-me

talvez mero papel de abano
daqueles que se abrem
em conjugação perfeita
entregue à beleza
do movimento da mão alheia
assim no disfarce de minha vexa
por não ser mais que objeto


sou bem o desenho
opaco e acinzentado
rabisco de naif
sem olhos
sem face
preso na tentativa
de serventia
e não ter.

domingo, 13 de abril de 2008

semiótica

se a verdade é
caldo amargo
tragado a contragosto
na opressão jaz
finura de espírito
e no estômagofaz-se hipocrisia.

quinta-feira, 13 de março de 2008

dilacerou-me por dentro
a resistência faliu
os sentidos desvirtuaram
as estruturas abalaram
no momento que
teu sorriso explodiu
em meu peito desatento.
na vigilância discreta
quem sabe me esqueça
do que lateja

dores infindas de cobiça
carimbadas em olhos negros
sem retina
sem menina
eu
vazia por vontade

a angústia
de tua dinastia
avesso de overdose
sou embuste ambulante
sem personalidade

falo-te de teus rastros
dos hinos de adorar
dos mastros que fincaste
em minhas artérias

não há bandeiras
nem frontes
figas ou figueiras
nessa seringa
de ser

por hora
insira o silêncio
nesse tumbeiro de sonhos
que tornou-se paralisia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

em devaneio esgarça
engasga o verso afoito
do meu beijo
ao coito
da língua
ao ventre
quero-te meu
como o vento
de um sopro
que não posso pegar
mas sinto
arfar em pulmão
e leito
inflar o falo
e o peito.

domingo, 13 de janeiro de 2008

ainda me sobram
ovários estéreis
e palavras idem
não tenho mais artifícios para
(pro) criação
vagina e fala secas
rachadas no ventre
em inanição
não há cura para
(des) inspiração.