No túmulo de Pagu
Redobra teus sentidos e te solta louca
Apegada ao rosto do meu sorriso ferido
Reforma as cores no meu olhar de louça
Aprisiona sem tocar-me nesse momento ido!
Perdeu-te na força de lembranças quase frouxas
Que recobram a vontade de te rever mais pura
Em guerra calada com mera ilusão dos tolos
Despiram rotos até a entrega farta do couro
Esquecer-te como repente estranho, raio preciso
Que atinge toda terra menos o teu fiel vazio
É repensar o toque de teu vago e sereno sorriso
Fazendo-me instrumento de teus desejos tardios
Perceber-te agora vã e fria criatura
Despindo-te nula em infiéis momentos
Como se ainda viva aqui, em carne crua,
Destilasse em mim teus cruéis tormentos.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
digam-me onde há glória!
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade
depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me
e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade
depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me
e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
domingo, 13 de julho de 2008
A fábula do vidro e do tijolo
pela vidraça vê-se o muro
vê-se furosno paladar!
não há o que se esconda
e se oponhaà dor de fronha
e a amores de chafarizé tudo tão caro
que o metal não pode pagar
beijara teus tijolos
e ainda trazia na línguaos esporos alheios
enganando-se cotidiano
e os olhos secos se fecham
na esperança da chuva
da fonte na praça central.
pela vidraça vê-se o muro
vê-se furosno paladar!
não há o que se esconda
e se oponhaà dor de fronha
e a amores de chafarizé tudo tão caro
que o metal não pode pagar
beijara teus tijolos
e ainda trazia na línguaos esporos alheios
enganando-se cotidiano
e os olhos secos se fecham
na esperança da chuva
da fonte na praça central.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
sou bem um desenho
preto e branco
caricato de um semblante
infame e descontente
de olhos virados
esbugalhados nos cantos
da face pária
nariz rasgando o céu
qual empino de revolta
e rajado de defeitos
cravados em dorso desavisado
serpente de aço
no subterrâneo metropolitano
indefino-me
talvez mero papel de abano
daqueles que se abrem
em conjugação perfeita
entregue à beleza
do movimento da mão alheia
assim no disfarce de minha vexa
por não ser mais que objeto
sou bem o desenho
opaco e acinzentado
rabisco de naif
sem olhos
sem face
preso na tentativa
de serventia
e não ter.
preto e branco
caricato de um semblante
infame e descontente
de olhos virados
esbugalhados nos cantos
da face pária
nariz rasgando o céu
qual empino de revolta
e rajado de defeitos
cravados em dorso desavisado
serpente de aço
no subterrâneo metropolitano
indefino-me
talvez mero papel de abano
daqueles que se abrem
em conjugação perfeita
entregue à beleza
do movimento da mão alheia
assim no disfarce de minha vexa
por não ser mais que objeto
sou bem o desenho
opaco e acinzentado
rabisco de naif
sem olhos
sem face
preso na tentativa
de serventia
e não ter.
domingo, 13 de abril de 2008
semiótica
se a verdade é
caldo amargo
tragado a contragosto
na opressão jaz
finura de espírito
e no estômagofaz-se hipocrisia.
se a verdade é
caldo amargo
tragado a contragosto
na opressão jaz
finura de espírito
e no estômagofaz-se hipocrisia.
quinta-feira, 13 de março de 2008
na vigilância discreta
quem sabe me esqueça
do que lateja
dores infindas de cobiça
carimbadas em olhos negros
sem retina
sem menina
eu
vazia por vontade
a angústia
de tua dinastia
avesso de overdose
sou embuste ambulante
sem personalidade
falo-te de teus rastros
dos hinos de adorar
dos mastros que fincaste
em minhas artérias
não há bandeiras
nem frontes
figas ou figueiras
nessa seringa
de ser
por hora
insira o silêncio
nesse tumbeiro de sonhos
que tornou-se paralisia.
quem sabe me esqueça
do que lateja
dores infindas de cobiça
carimbadas em olhos negros
sem retina
sem menina
eu
vazia por vontade
a angústia
de tua dinastia
avesso de overdose
sou embuste ambulante
sem personalidade
falo-te de teus rastros
dos hinos de adorar
dos mastros que fincaste
em minhas artérias
não há bandeiras
nem frontes
figas ou figueiras
nessa seringa
de ser
por hora
insira o silêncio
nesse tumbeiro de sonhos
que tornou-se paralisia.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
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